terça-feira, 9 de outubro de 2018

Maduro, Duterte e Erdogan: Ditadores eleitos?

O que será que Nicolás Maduro, Recep Tayyip Erdogan e Rodrigo Duterte tem em comum?

Então, eles são presidentes, eleitos pela urna e são autoritários.

Eu acabei decidindo não colocar Hitler na lista, pois já fiz uma postagem anterior sobre ele ter sido eleito e não ter causado golpe algum.

Vivemos um momento bastante polarizado na política mundial e não é diferente no Brasil. Estamos num período eleitoral entre turnos nas eleições para presidente e governadores que foram para o segundo turno. E ficou nítido nas urnas do dia 7 de outubro de 2018 que o país está MUITO polarizado. E desta forma, dois representantes com muitas características autoritárias disputando os votos de seus eleitores que estão entre fiéis seguidores beirando ao fanatismo nem sempre visto diante de astros de rock, e eleitores comuns que simplesmente não desejam ver o outro lado no poder.

Eu particularmente fico muito triste com a polarização extremada que tivemos e fico preocupado com as características que notoriamente são autoritárias da parte dos candidatos e então decidi lembrar os leitores do blog que existem atualmente no mínimo 3 presidentes eleitos na urna que ou estão desrespeitando o legislativo ou princípios básicos dos direitos humanos e com discursos retrógrados, perseguem, matam, torturam a parcela da população que não agrada.

MADURO - VENEZUELA

Maduro é um ditador de araque que se manteve no poder após a morte de Hugo Chávez, este que por sua vez foi eleito pela primeira vez em 1998 fez de tudo para se manter no poder até sua morte em 2012. Pegou um país petroleiro em boas condições, viu as guerras no oriente médio favorecer o aumento do valor do petróleo durante uma década e nadou em dinheiro até o valor da commodity baixar violentamente e a economia da Venezuela entrar em frangalhos dependendo 96% da venda do óleo.

Já faz 18 anos que opositores querem a saída do governo que deixou o país com nem mesmo itens de necessidade básica sem produção no país. O preço do barril de petróleo, de 120 dólares em 2008, caiu para menos de 50 dólares a partir de 2014. Além de perder a capacidade de importar, o país não pôde manter os investimentos sociais, um dos pontos mais positivos do governo de Chávez.

O controle nos preços, uma medida tomada por Hugo Chávez para evitar inflação, desestimulou investimentos de iniciativa privada dentro do país. Em alguns casos, a venda era desvantajosa para empresas privadas devido aos impostos, o que ajudou a fazer com que os produtos sumissem das prateleiras. A dependência do Estado na economia prejudica o país, quando esse não consegue, sozinho, suprir as demandas da população.

Outra medida de combate à inflação no governo de Chávez também mostra resultado agora, em tempos de crise. O controle do câmbio, adotado desde 2003 com o objetivo inicial de impedir a fuga de dólares do país, deu espaço para uma corrupção interna por parte dos militares e membros do governo. O desvio ilegal provoca escassez da moeda estrangeira dentro do país, o que agrava o problema de abastecimento.

A escassez de alimentos e a crise econômica no contexto atual da Venezuela têm aumentado a violência na região. Em 2017, o país registrou os índices de homicídio mais altos da América Latina.

DUTERTE - FILIPINAS

Duterte foi eleito em 2016 com apenas 38% dos votos válidos, sem segundo turno, desbancando seus opositores que ficaram na casa dos 20%. Até aí tudo certo, mas o presidente foi eleito com discurso inflamado e odioso, mesmo em um país de maioria cristã, chegou a chamar Deus de estúpido, inexistente e ainda xingou o Papa Francisco.

Na noite de sua posse, há dois anos, Duterte detalhou durante o jantar oficial a principal promessa de seu programa. Como sempre, falou como um valentão: “Esses filhos da puta estão destruindo nossos filhos. Faço um alerta para não mexerem com nisso, mesmo que sejam policiais, porque, estou falando sério, vou matar todos… Se conhecer algum viciado, mate-o você mesmo, porque seria muito doloroso pedir para seus pais fazerem isso… Os que continuam usando drogas já foram alertados durante a campanha. Aconteça o que acontecer, aviso: sem remorsos. Falei para pararem. Se acontecer algo [aos viciados], eles procuraram”.

Ok, mas ele tá querendo cuidar das pessoas de bem não é mesmo? Enfim, não acho que banalizar a morte é uma coisa bacana. Até porque quantos que estão lendo este texto conhecem alguém viciado ou não que faz uso regular de alguma droga? Como ela chegou na mão de seu coleguinha? Só pra que todos por aqui reflitam. A maioria nem chega a ler até aqui.

Fato é que Duterte já garantiu a morte de mais de 10 mil usuários e notificou a família de mais de um milhão deles para que se encaminhem aos tratamentos, que em geral não são suficientes e acabam se transformando em chacinas!

ERDOGAN – TURQUIA

Há quinze anos de poder, Recep Tayyip Erdogan é tido como um líder reformador, combativo, autoritário e repressivo. Promoveu profundas transformações na Turquia através de megaprojetos de infraestruturas e conduz uma política externa firme diante do Ocidente, chegando a incomodar seus tradicionais aliados ocidentais.

Erdogan é Presidente da Turquia desde 28 de agosto de 2014. Anteriormente, ocupou o cargo de Primeiro-ministro do país entre 14 de março de 2003 e 2014.

Erdogan é um homem que divide o país. De um lado, a base muçulmana conservadora exalta a aproximação com o islamismo e o milagre econômico turco. De outro, os que o enxergam como ditador criticam a repressão a opositores. No domingo 16, Erdogan venceu um referendo histórico sobre a revisão constitucional que reforça seus poderes e muda os rumos da Turquia, distanciando-a da União Europeia e, quiçá, da democracia. Em uma disputa acirrada, 51,3% dos turcos disseram “sim” à reforma proposta pelo presidente. Com a vitória, a Turquia deixa o atual sistema parlamentar para tornar-se uma república presidencialista. Erdogan, que passará a acumular inúmeras atribuições legislativas e poderá indicar a maioria dos juízes às altas cortes do sistema judiciário, tem a chance de permanecer no poder até 2029, ao final de três possíveis mandatos consecutivos – um sultanato de longo prazo.

Em 2013, quando a população foi às ruas gritar contra a remodelação do Parque Gezi, muitos turcos laicos juntaram-se às manifestações para protestar contra suas inclinações islâmicas, mas foram reprimidos pela polícia. A escalada de violência ganhou força depois da tentativa de golpe militar, em julho de 2016, quando Erdogan convocou a população às ruas. Desde então, com o país em estado de emergência, o governo passou a açodar seguidores do clérigo Fethullah Gulen, a quem o presidente culpa pelo golpe. Cerca de 45 mil pessoas acabaram detidas e outras 130 mil foram removidas de suas funções públicas. À imagem de ditador, somou-se o declínio dos resultados econômicos da Turquia: no ano passado, o PIB cresceu 2,9% em relação ao ano anterior, bem abaixo de 2015. Ainda que tenha conseguido uma importante vitória no referendo, a popularidade de Erdogan é questionada. “Cada vez que se sente ameaçado, ele sobrevive com o apoio popular. Olhando para o referendo, o que não é claro é se esse apoio ainda está lá”.

O referendo sofreu críticas desde o início das campanhas. Com a imprensa controlada pelo governo, a oposição teve liberdade limitada. Agora, com o fim do cargo de primeiro-ministro, Erdogan poderá escolher os membros do gabinete, o vice-presidente e outros servidores que se reportarão diretamente a ele. Ele também deve indicar a maioria dos juízes das altas cortes do sistema jurídico turco, em um regime que se assemelha cada vez mais ao de Nicolás Maduro, na Venezuela, que, inspirado pelo chavismo, aparelha e controla todas as instituições.

Considerações Finais

Seja lá qual for o resultado, espero que não tenhamos caminho parecido ou estamos ferrados :(

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:









Por que a Alemanha votou em Hitler?

Por Oliver Stuenkel[1]

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?

Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mudanças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomodados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pareciam oferecer boas alternativas.

Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propósitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absurdo. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espetáculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. Como escreveu em seu livro "Minha Luta":

Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular (...), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (...) A arte da propaganda consiste precisamente em poder despertar a imaginação do público através de um apelo aos seus sentimentos.

Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas com a arte moderna e os costumes culturais progressistas que surgiram por volta de 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais independentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a antiga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterossexuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, para reafirmarem sua masculinidade.

Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensavam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que tinham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de partidos tradicionais para governar.

Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, poderia ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, segundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores comunistas. Os judeus - que representavam menos de 1% da população total - eram o bode expiatório favorito. Os alemães "verdadeiros" não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado em slogans fáceis de lembrar: "Alemanha acima de tudo", "Renascimento da Alemanha", "Um povo, uma nação, um líder."

Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prometeu -- e implementou -- um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ganharam contratos suculentos, que os fizeram ignorar as tendências fascistas de Hitler.

Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tornou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abuso verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos alemães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evitar problemas com os nazistas.

Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundial, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu nunca teria votado nele”, contou-me um amigo da minha família. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou publicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia.

De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava de um charlatão oportunista que identificou e explorou uma profunda insegurança na sociedade alemã.

Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas ou antissemitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vista grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pessoas eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá-lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava disposto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquinaria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia mais ser contido. Era tarde demais.

Fonte:





[1] Oliver Stuenkel (Düsseldorf em 1982) é um professor e pesquisador de relações internacionais. Graduado pela Universidade de Valência, na Espanha, é mestre em Políticas Públicas pela Kennedy School of Government de Harvard University, onde foi McCloy Scholar, e doutor em Ciência Política pela Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Redação Nota 1000 – Patrimônio Histórico Nacional


Série de postagens de redações que atingiram nota máxima, considerando os critérios do Enem e ou de importantes vestibulares do Brasil.

A redação a seguir foi proposta e corrigida pelo professor Nardy Bechtold Júnior do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Cônsul Carlos Renaux de Brusque.

Pelo incidente com o Museu Nacional ter acontecido muito recentemente, dificilmente aparecerá no Enem 2018. No entanto, pode aparecer em outras provas regionais que são finalizadas mais perto da aplicação das mesmas.

Tema: “Patrimônio Histórico Nacional”

Por Isadora Bastiani

Ao analisar-se o decorrer histórico do Brasil, pode-se inferir que o descaso, tanto popular quanto governamental, para com o patrimônio público do país é extremo. Recentemente, mais um instituto brasileiro foi tomado pelas chamas e resumido a cinzas, em setembro de 2018 o Museu Nacional do Rio de Janeiro, até então administrado pela universidade federal do estado, perdeu cerca de 90% do seu acervo; entretanto, essa não foi a primeira, e certamente não será a última, perda artística do país. Nesse viés, dois aspectos fazem-se relevantes: a falta de direcionamento de verbas para o setor cultural da nação, bem como o não interesse da população pelo mesmo.

Como já́ citado anteriormente, o incêndio do Museu Nacional não foi o primeiro fruto da má́ distribuição dos gastos públicos no Brasil, anteriormente vários outros patrimônios foram afetados por esse fator. Dentre eles está o primeiro museu do mundo dedicado a uma língua, o Museu da Língua Portuguesa, situado na cidade de São Paulo, que também foi dizimado pelas chamas e ainda encontra-se em restauração. Sendo assim, tendo em vista o longo histórico brasileiro de acidentes no que tange a centros históricos do país, conclui-se que a responsabilidade pela perda do Museu Nacional não cai inteiramente sobre o estado do Rio de Janeiro ou sobre a UFRJ, mas sim sobre o governo nacional como um todo, já́ que foi o corte na verba cultural que acabou comprometendo a segurança do edifício.

Ademais, vale ressaltar que o prédio que alojava o museu é o mesmo em que residiu a família real durante o império no Brasil, fato que por si só́ já́ deveria assegurar a sobriedade do local. Parte do descaso brasileiro para com patrimônios históricos deve-se ao fato de que o não incentivo cultural está presente no país, caindo novamente no primórdio de quase todos os problemas brasileiros, a falta de investimento em educação. Uma população mal instruída não conhece a história de seu país; logo, não irá despertar interesse pelo patrimônio cultural que a cerca, e assim, como um efeito dominó, catástrofes históricas virão a acontecer.

Dessarte, tendo em vista os argumentos supracitados, as propostas interventivas a seguir precisam ser concretizadas. Primeiramente, é nevrálgico que cada esfera administrativa do país, tanto cidades quanto estados, designem verbas para a preservação do patrimônio histórico nacional, desse modo, em âmbitos menores haverá́ maior organização para distribuir corretamente o dinheiro público. Paralelo a isso, cabe ao MEC incluir na grade curricular nacional, o estudo antropológico da cultura brasileira, formando, portanto, cidadãos com uma maior bagagem de conhecimento sobre o seu próprio país, que assim chocar-se-ão com acontecimentos tão catastróficos quanto esse. Afinal, como afirmou o escritor e jornalista brasileiro Monteiro Lobato, “uma nação se constrói com Homens e livros.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

O Irã e o Programa Nuclear

O Irã (República Islâmica do Irã) e anteriormente conhecido como Pérsia, é um país localizado na Ásia Ocidental. Tem fronteiras a norte com Armênia, Azerbaijão e Turcomenistão e com o Cazaquistão e a Rússia através do Mar Cáspio; a leste com Afeganistão e Paquistão; ao sul com o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã; a oeste com o Iraque; e a noroeste com a Turquia. Composto por uma área de 1.648.195 quilômetros quadrados é a segunda maior nação do Oriente Médio e a 18ª maior do mundo. Com mais de 77 milhões de habitantes, o Irã é o 17º país mais populoso do mundo.

O Irã é uma República Islâmica  que é o nome dado à república que constitui seu corpo instituicional de maneira compatível com os preceitos do islamismo. Na prática, cada um dos países que adota o republicanismo islâmico tem sua maneira própria de aplicar os preceitos islâmicos às instituições republicanas. Entre os países no mundo que adotam o regime incluem as repúblicas islâmicas do Irã, Paquistão, Afeganistão e a Mauritânia.

Economia

A economia iraniana é extremamente dependente da exportação de petróleo, isso significa que enquanto havia restrição a compra de petróleo iraniano, o mundo teve uma alta de preço pois se um dos maiores produtores deste recurso não está no mercado a oferta diminuía. E para o Brasil o petróleo caro tem dois lados:

- por um lado é bom para a Petrobrás lucrar mais e viabilizar projetos caros e;
- por outro lado seria interessante para nós usuários caso o nosso preço de combustíveis também caísse.

Mas devemos olhar para a economia iraniana não como um rival petroleiro e sim como um gigante e potencial cliente dos produtos brasileiros, principalmente alimentos. Com um PIB de quase 1 trilhão de dólares e muita coisa que não conseguem produzir, o Irã pode ser um grande parceiro econômico de qualquer nação produtora de alimentos.

Exportações
66,37 mil milhões
Produtos exportados
Petróleo (80%), produtos químicos e petroquímicos, frutas e nozes, tapetes
Principais parceiros de exportação
República Popular da China 21,4%, Japão 9,1%, Turquia 8,8%, Índia 8,1%, Coreia do Sul 8%, Itália 5,3%
Importações
66,97 mil milhões 
Produtos importados  
Matérias-primas e bens intermediários, bens de capital, alimentos e outros bens de consumo, serviços técnicos
Principais parceiros de importação
Árabes Unidos 30,9%, República Popular da China 17,4%, Coreia do Sul 7,1%, Alemanha 4,8%, Turquia 4,2%
Dívida externa bruta  
9,452 bilhões 

Outro aspecto interessantíssimo da economia iraniana é sua pequena dívida externa que corresponde a cerca de 10% do PIB, só pra ter uma ideia, os EUA possuem dívida externa equivalente a quase 100% do seu PIB e a Noruega mais de 800%.


Situação atual: "Pior negócio de todos os tempos", diz Trump

O acordo nuclear marcou a maior realização estrangeira do ex-presidente americano Barack Obama. Trump, no entanto, chamou o pacto de "desastre" e de "o pior negócio de todos os tempos" e tem trabalhado para desfazer grande parte das agendas de política interna e externa deixadas por Obama.

O atual presidente dos EUA critica o acordo por não incluir o programa de mísseis balísticos do Irã ou o apoio governamental iraniano a grupos como o Hezbollah e a ajuda enviada por eles ao presidente sírio Bashar Assad. Trump também critica o fato de os termos do acordo terem data para expirar. Ele afirma que o pacto "deu à ditadura do Irã uma linha de vida política e econômica".

O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, um dos inimigos do Irã, também critica a negociação. Buscando garantir a retirada de Trump do pacto, ele apresentou na semana passada o que disse ser provas de que o Irã mentiu sobre suas ambições nucleares nos anos 2000. Porém as informações utilizadas por Netanyahu parecem coincidir com as que a AIEA já informara anteriormente sobre o programa nuclear de Teerã.

Enquanto isso, muitos iranianos dizem que não viram os benefícios econômicos que o presidente Hassan Rohani prometeu com o acordo. O público foi atingido pela espiral inflacionária, que alimentou protestos pelo país em dezembro e janeiro.

O acordo sobre o Programa Nuclear Iraniano aprovado por Obama em 2015

As grandes potências e o Irã concluíram em 14 de julho de 2015 em Viena, após meses de intensas negociações, um acordo final sobre o programa nuclear iraniano, destinado a garantir a natureza estritamente pacífica do programa em troca do levantamento das sanções internacionais contra o Irã. Uma constatação importante é a de que Barack Obama se arriscou bastante encabeçando um acordo que é relativamente arriscado.

Entre os principais "parâmetros" do acordo estão:

'Breakout time'

O objetivo é fixar um ano, no mínimo, e pelo menos dez anos, o "breakout time", o tempo necessário para o Irã produzir material físsil suficiente para a fabricação de uma bomba atômica, e para tornar uma tal tentativa imediatamente detectável. Este período é atualmente de 2 a 3 meses.

Enriquecimento de urânio

O enriquecimento de urânio por meio de centrífugas abre caminho para diferentes utilizações, segundo a taxa de concentração de isótopo U-235: 3,5 a 5% para combustível nuclear, 20% para uso médico e 90% para uma bomba atômica. Esta última etapa, a mais crucial, é também tecnicamente a mais rápida a produzir.
- O número de centrífugas do Irã passará de mais de 19.000 atualmente, incluindo 10.200 em atividade, a 6.104 - uma redução de dois terços -, durante um período de 10 anos.
Apenas 5.060 entre elas serão autorizadas a enriquecer urânio, a um nível que não ultrapassará 3,67% durante 15 anos. Trata-se exclusivamente de centrífugas de primeira geração.
Contudo, o Irã poderá prosseguir com suas atividades de pesquisa com centrífugas mais modernas e começar a fabricação, após oito anos, dos IR-6, dez vezes mais eficazes que as máquinas atuais, e ao IR-8, com desempenho 20 vezes superior.
- Teerã reduzirá a 300 kg, por um período de 15 anos, seu estoque de urânio enriquecido (LEU), atualmente de 10.000 kg.
- Teerã aceitou não construir nenhuma nova instalação de enriquecimento de urânio durante 15 anos.
- O Irã concorda em interromper o enriquecimento de urânio por pelo menos 15 anos na usina de Fordo, enterrada sob as montanhas e, portanto, impossível de destruir por ação militar.
Não haverá material físsil em Fordo por pelo menos 15 anos.
O local permanecerá aberto, mas não enriquecerá urânio.
Cerca de dois terços das centrífugas de Fordo será removido do local.
- Natanz: é a principal instalação de enriquecimento iraniano, com cerca de 17.000 centrífugas IR-1 de primeira geração, mil de IR-2M, e com capacidade de acomodar um total de 50.000.
Teerã concordou em torná-la sua única usina de enriquecimento e manter apenas 5.060 centrífugas, todas IR-1. As centrífugas IR-2M serão retiradas e colocadas sob controle da AIEA.

Controle

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), já presente no Irã, será responsável por controlar regularmente todas as instalações nucleares iranianas, e terá suas prerrogativas reforçadas consideravelmente.
- O campo de competência da AIEA se estenderá a todo programa nuclear iraniano, da extração de urânio à pesquisa-desenvolvimento, passando pela conversão e o enriquecimento de urânio. Os inspetores da AIEA poderão ter acesso às minas de urânio e aos locais onde o Irã produz o "yellowcake" (um concentrado de urânio), durante 25 anos.
- O Irã também concedeu um acesso limitado a suas instalações não-nucleares, principalmente militares, em caso de suspeita de atividade nuclear ilegal, pelos inspetores da AIEA como parte do Protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) que os países se comprometeram a aplicar e ratificar.

Plutônio

O acordo visa a tornar impossível a produção pelo Irã de plutônio 239, outro componente que pode compor uma bomba nuclear.
- O reator de água pesada em construção em Arak será modificado de modo a ser incapaz de produzir plutônio de qualidade militar. Os dejetos produzidos serão enviados ao exterior durante toda a vida do reator.
- Teerã não poderá construir um novo reator de água pesada durante 15 anos.

Sanções

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve adotar uma nova resolução para aprovar o acordo e anular todas as resoluções anteriores contra o programa nuclear iraniano.
Algumas medidas serão, no entanto, mantidas como exceção.
- As sanções americanas e europeias relacionadas com o programa nuclear iraniano visando os setores das finanças, energia e transporte, serão levantadas "assim que o Irã implemente" seus compromissos nucleares, atestado por um relatório da AIEA, o que não deve acontecer antes de 2016.
- As sanções da ONU sobre as armas: vão ser mantidas por cinco anos, mas exceções poderão ser concedidas pelo Conselho de Segurança. Todo comércio de mísseis balísticos com capacidade de transportar ogivas nucleares permanece banido por um período indeterminado.

Considerações finais

O fim do embargo recolocava o Irã na economia mundial em uma época de crise econômica global, a atual gestão dos EUA prefere o distanciamento do Irã e o isolamento econômico do mesmo.

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:






                       

Iêmen: ruim para homens, um inferno para mulheres

Após 33 anos de ditadura, em meio a Primavera Árabe, Ali Abdullah Saleh foi morto em 2011 acusado de traição pelo próprio povo. Na época, ele passou o comando do país para o seu então vice, Abd-Rabbu Mansour Hadi. Esta reviravolta deveria trazer estabilidade para o país, no entanto fracassou violentamente.

Iêmen: Ruim para os homens, um verdadeiro inferno para as mulheres.

Um detalhe muito importante sobre o Iêmen, é que entre sunitas e xiitas, o país é considerado um dos mais radicais do mundo, com registros de mortes violentas aos cristãos e atrocidades cometidas contra as mulheres. Condenações por apedrejamento para as mulheres, retirada de clitóris para findar o prazer das mesmas e queimadas vivas, são infelizmente violências mais comuns do que se imagina neste país.

Os rebeldes xiitas houthis entraram em Sanaa em setembro de 2014 e assumiram seu controle meses depois. Hadi enfrentou uma variedade de problemas, incluindo ataques da Al-Qaeda, um movimento separatista no sul, a resistência de muitos militares que continuaram leais a Saleh, assim como corrupção, desemprego e insegurança alimentar.

O movimento houthi, que segue uma corrente do islã xiita chamada zaidismo e havia travado uma série de batalhas contra Saleh na década anterior, tirou proveito da fraqueza do novo presidente e assumiu o controle da província de Saada, no nordeste do país.

Desiludidos com a transição, muitos iemenitas – incluindo os sunitas – apoiaram os houthis e, em setembro de 2014, eles entraram na capital, Sanaa, montando acampamentos nas ruas e bloqueando as vias.

Em janeiro de 2015, eles cercaram o palácio presidencial e colocaram o presidente Hadi e seu gabinete em prisão domiciliar. O presidente conseguiu fugir para a cidade de Áden no mês seguinte.

O conflito armado se transformou em uma guerra de grande escala no Iêmen em 2015, aumentando as já enormes necessidades médicas e humanitárias e restringindo gravemente o acesso a cuidados de saúde.

Os Houthis continuaram a avançar em 2015, tomando o palácio presidencial em Sanaa, em janeiro. O presidente Hadi fugiu para Aden e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita que apoia seu governo deu início a ataques aéreos para recuperar o território perdido, inclusive o porto de Aden. Enquanto isso, a guerra fortaleceu a presença da Al Qaeda e do Estado Islâmico no país. Até o fim do ano, a ONU estimava que 2.800 pessoas tenham sido mortas e cerca de 2,5 milhões deslocadas internamente. O sistema de saúde foi dizimado: os profissionais médicos fugiram do país, instalações foram destruídas e materiais médicos, cortados.

A guerra civil no Iêmen, o país mais pobre do mundo árabe, deixa 22 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), que considera essa a maior crise humanitária global em curso atualmente.

Só em 2018, 85 mil pessoas já foram forçadas a deixar suas casas por conta do conflito iemenita, e o total de mortos ultrapassa 10 mil desde 2015.

Antagonismo regional

Sunitas com apoio saudita x Xiitas com apoio iraniano.
  

Em meio à guerra, o país sofre com bloqueios comerciais impostos pelos sunitas, que impedem que ajuda humanitária e itens básicos, como comida, gás de cozinha e medicamentos, cheguem a 70% da população iemenita.

Os anos de conflito não só provocaram uma escassez aguda de alimentos como destruíram o sistema de saúde do país, dificultando o combate a uma grave epidemia de cólera. Em dezembro, o número de casos suspeitos de cólera alcançou 1 milhão.


Por que essa guerra importa para o resto do mundo?

O Iêmen é estrategicamente importante, porque está no estreito de Bab-el-Mandeb, que faz ligação com a África e é rota de navios petroleiros. Além disso, muitas potências lucram indiretamente com a guerra iemenita: a coalizão saudita que bombardeia o Iêmen compra armas de países como Estados Unidos, Reino Unido e França. No entanto, é possível garantir que o conflito também tem muitas armas sauditas e iranianas. Ou seja, quase todos os envolvidos ganham dinheiro e quem se ferra é o povo iemenita.

Só as empresas britânicas teriam lucrado £6 bilhões ( R$27 bilhões, aproximadamente) com venda de armas à Árabia Saudita desde o início da guerra no Iêmen, segundo pesquisa da ONG War Child UK.

A coalizão alegou querer parar o contrabando de armas para os rebeldes do Irã, mas a ONU disse que as restrições poderiam desencadear "a maior crise de fome que o mundo já viu em décadas".

A crise humanitária

A população tem suportado o caos da guerra e sido constantemente vítima do que o conselho de direitos humanos da ONU chama de "incessantes violações do Direito internacional".

Os ataques aéreos da coalizão saudita foram as principais causas da morte de civis. A destruição da infraestrutura do país e as restrições de importação de comida, de medicamentos e de combustível causaram o que a ONU diz ser uma situação catastrófica.

Mais de 20 milhões de pessoas, incluindo 11 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária imediata. Há 7 milhões de pessoas dependentes de ajuda para comer e 400 mil crianças sofrendo de desnutrição.

Ao menos 14,8 milhões estão sem cuidados básicos de saúde, e apenas 45% dos 3,5 mil postos de saúde estão funcionando e lutando para conter a maior epidemia de cólera do mundo, que até o final do ano passado havia resultado em 2.196 mortes.

Jonathan Kreutzfeld

Fonte: