terça-feira, 15 de agosto de 2017

Ku Klux Klan: dos Democratas para os Republicanos

Fundada no ano de 1866, no estado do Tennessee, a Ku Klux Klan (KKK) surgiu como um clube social que tinha como membros os soldados que haviam lutado na Guerra Civil Americana, ocorrida nos anos de 1861 a 1865, representando os estados do sul, que haviam sido derrotados. Lembrando que naquela época os estados do sul que eram escravocratas e controlados pelos democratas enquanto os do norte, que eram contra a escravidão eram controlados por republicanos.

Guerra Civil Americana

Abraham Lincoln
A Guerra Civil Americana ocorreu devido à eleição de Abraham Lincoln (Republicano). Sete estados se rebelaram contra o governo, o que culminou na cessão com a União, surgindo assim os Estados Confederados da América. Seus esforços para a abolição da escravidão incluíram a assinatura da lei de Proclamação de Emancipação em 1863, encorajando os estados escravocratas de fronteira a tornarem a escravidão ilegal, e dando impulso ao Congresso para a aprovação da Décima Terceira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que finalmente pôs fim a escravidão em dezembro de 1865.

A KKK na verdade era uma organização racista secreta, que tinha entre seus objetivos resistir à política imposta pelos estados do norte após a Guerra Civil e intimidar os negros, na maioria das vezes com atos de violência, garantido assim a supremacia branca no país.

Chamem-se hoje, Ku Klux Klan, alt-right, neonazis, movimento nacional socialista ou Partido Americano da Liberdade, todos partilham uma crença: a de que a raça branca é superior a todas as outras e, por isso, deve dominar a sociedade.

O nome da organização, cujo registro mais antigo já conhecido é datado do ano de 1867, tem origem da palavra grega Kyklos, que significa “Círculo”, e da inglesa “Clãn”, que foi escrita com K para poder entrar no contexto do título, já que muitos acreditam que o nome foi inspirado no barulho feito quando se põe um rifle em ponto de atirar.

Surgimento

Criada pelo general Nathan Bedford Forrest, e tendo ainda membros como os veteranos da confederação sulista, Calvin Jones, Frank McCord, Richard Reed, John Kennedy, John Lester e James Crowe, a KKK conseguiu crescer em proporções inimagináveis em muito pouco tempo, ampliando seu número de seguidores por diversos outros estados.

Para que suas identidades fossem preservadas, os membros do clã usavam roupas brancas com capuzes que cobriam o rosto. Para que alguém pudesse entrar na seita era necessário passar por um ritual de iniciação, que se dava pelo fato do indivíduo ser colocado dentro de um tonel e empurrado ladeira abaixo.

Cada “K” uma renovação

O primeiro Klan surgiu no sul dos Estados Unidos no final dos anos 1860 e deixou de existir no início da década de 1870. Ele tentou derrubar os governos estaduais republicanos no sul durante a Era da Reconstrução, especialmente através do uso da violência contra líderes afro-americanos. Com inúmeros ataques em todo o sul, Em 1871, o presidente Ulysses Grant, tornou o grupo irregular, tornando o KKK uma entidade terrorista e banida do país. Eles costumavam fazer visitas surpresas aos negros, e com o uso da força, através de chibatadas, eles os forçavam a votar nos democratas. Os brancos que apoiavam a abolição e os professores que davam aula aos negros também eram perseguidos. Os membros da seita não aceitavam que os negros tivessem o direito à educação, diziam que eles eram indignos, que nasceram para ser eternos escravos. O número de seguidores desta fase é impreciso.

O segundo grupo atingiu aproximadamente 5 milhões de pessoas, foi fundado em 1915 e começou a atuar em todo o país em meados da década de 1920, especialmente nas áreas urbanas do Centro-Oeste e Oeste. Ele se opunha aos católicos e judeus, especialmente os imigrantes mais recentes, sendo que ressaltava sua profunda oposição à Igreja Católica. Esta segunda organização adotou um traje branco padrão e usava palavras de código semelhantes como as do primeiro Klan, além de ter adicionado os rituais de queima de cruzes e de desfiles em massa.

A terceira e atual manifestação da KKK surgiu depois de 1950, sob a forma de grupos pequenos, locais e desconexos que fazem uso do nome KKK. Eles se concentraram na oposição ao movimento dos direitos civis, muitas vezes usando violência e assassinatos para reprimir ativistas. É classificado como um grupo de ódio pela Liga Antidifamação e pelo Southern Poverty Law Center. Estima-se ter entre 5.000 e 8.000 membros em 2012. A segunda e a terceira encarnações do Ku Klux Klan faziam referências frequentes ao sangue "anglo-saxão" dos Estados Unidos, que remete ao nativismo do século XIX. Embora os membros da KKK jurem defender a moralidade cristã, praticamente todas as denominações cristãs oficialmente denunciaram as práticas e ideologias da KKK.

Atualmente, considerando que as redes sociais escondem muitos grupos e membros alicerçados estima-se que o número de seguidores praticantes ou não de atos violentos seja de dezenas de milhões de pessoas só nos Estados Unidos.

Eu recomendo alguns filmes bem fáceis de encontrar para compreender um pouquinho mais dessa história.

- Lincoln
- Deuses e Generais
- Gangues de Nova Iorque

Como aconteceu a reviravolta que levou os radicais da supremacia branca para o lado Republicano?

A primeira migração dos eleitores negros para o terreno democrata se deu durante o governo de Harry Truman (1945-1953). Democrata, ele baixou decretos contra a segregação nas forças armadas e no funcionalismo público e discursou contra a segregação racial.

A segunda onda, bem mais intensa, veio nos anos 1960, na sequência dos protestos contra as leis estaduais que separavam negros e brancos em lugares públicos e escolas. Após o assassinato do pastor batista Martin Luther King, a mais contundente voz desse movimento, quem tomou a dianteira foi o pastor democrata Jesse Jackson, seu colega.

Enquanto Luther King pregava a igualdade de todos os americanos, Jackson ressaltava as diferenças e fez campanha pelas políticas multiculturalistas de ação afirmativa, como as cotas raciais. Medidas desse tipo já estavam sendo implementadas pelo presidente republicano Richard Nixon, mas os democratas foram eficientes em roubar a paternidade da coisa. “Quando Nixon, com o Plano Filadélfia, tentou recuperar o espaço perdido pelos republicanos entre os negros, os democratas abraçaram as políticas de ação afirmativa e passaram a reclamar o estatuto de pioneiros”, escreve Demétrio Magnoli no livro Uma Gota de Sangue (Contexto).

O apoio do presidente democrata Bill Clinton às políticas de preferências raciais nos anos 1990 e a eleição de Barack Obama em 2008, com mais de 80% dos votos dos negros, sedimentou a transição do voto negro para o campo democrata.

E em 2016, Hillary Clinton, levou a maior parte dos votos negros. Barak Obama, o presidente negro (ainda que de mãe branca) é democrata. E Donald Trump, o pré-candidato republicano, evitou condenar o apoio de um líder da KKK, David Duke durante sua campanha.

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:





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