segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Incidência de assuntos de Geografia no Vestibular da Acafe (2007-2016)

Neste estudo de incidências, analisei na realidade os temas que aparecem em questões da prova. Por exemplo, uma questão sobre o Brasil onde o estudante precisa compreender a atividade econômica de cada região do país para responder algo sobre recursos hidrográficos, vai ter um ponto anotado em cada assunto. Por este motivo temos mais ocorrências do que questões em si. O mesmo acontece com questões de atualidades que podem falar desde Blocos Econômicos até sobre terremotos em uma só questão!

GRÁFICO SOBRE A INCIDÊNCIA DE TEMAS / ASSUNTOS DE GEOGRAFIA
ACAFE (2007-2016)


Então o que deve ser mais estudado afinal?

Bom, Atualidades e Santa Catarina aparecem em todas as provas, SEM EXCEÇÃO! Aí já temos um bom começo, mas vou fazer uma breve descrição em cada assunto. Eu criei os itens na tabela na medida em que os mesmos apareciam, então não se preocupe com a ordem em que estão descritos.

Geopolítica: Este assunto sempre é remetido no contexto de atualidades, falando em crises econômicas, conflitos, Blocos Econômicos e percebi muitas vezes a China no centro das atenções!

Espaço Rural: Eu esperava mais questões sobre assunto, as que apareceram em geral falavam do agronegócio no contexto econômico e ambiental.

Questões Ambientais: Embora este item eu tenha criado para a incidência do assunto conferências e acordos sobre o clima, sempre que aparecia questões sobre El Niño ou sobre deslizamentos eu acabei pontuando também.

Globalização: Aqui eu coloquei ponto para as vezes que se falava da evolução tecnológica, integração de países em Blocos Econômicos, Neoliberalismo, estes na verdade quase sempre pontuei em Geopolítica junto.

Espaço Urbano: Bem pouco na parte conceitual, na maioria das citações estava no contexto dos problemas ambientais e nos problemas sociais vividos pela população urbana.

Atmosfera: Aqui apareceram conceitos importantes como Efeito Estufa e Aquecimento Global, Troposfera, mas pontuei tudo que se relacionava com o tema. El Niño e as conferências do clima apareceram diversas vezes.

Hidrografia: A maior parte das vezes que se fala de hidrografia é sobre a construção de hidrelétricas no Brasil e por vezes na má distribuição deste recurso pelo país.

População: Aqui eu também me surpreendi, embora as migrações e os inúmeros indicadores de população estejam diariamente em discussão no mundo, na prática menos questões do que eu esperava. A maioria era para analisar tabelas, nada muito conceitual.

Energia: Sobre os recursos energéticos, muita coisa sobre as fontes renováveis que se destacam no país e claro, sobre petróleo. A energia nuclear apareceu também em algumas assertivas sobre os acidentes em Chernobyl e Fukushima.

Vegetação: Eu pontuei para vegetação onde realmente o estudante precisava realmente ter conhecimento sobre os Biomas ou Domínios Morfoclimáticos ou conceitos como Hotspot. Quando falava em desmatamento sem se referir à algum lugar específico eu nem pontuei. Mas isso ocorreu diversas vezes e foi pra Questões Ambientais apenas.

Santa Catarina: Todas as provas tinham 1 ou 2 questões sobre qualquer tema que envolva o estado, quer passar na Acafe em curso muito concorrido? Não erre questões aqui de jeito nenhum! Se acabar sendo anulada, lamente muito!

Brasil Economia Regional: Neste item eu pontuei quando aparecia sobre governos do Brasil, divisão regional e claro a caracterização econômica, em geral essas questões tinham tabelas ou mapas e solicitavam análises regionais e comparações entre as mesmas.

Geologia: Quase sempre eram questões relacionadas aos terremotos ocorridos recentemente ou sobre deslizamentos de terra e processos erosivos. Bem previsível isso nos estudos de atualidades.

Cartografia: Uma questão sobre escala e outra sobre projeções.

Movimentos da Terra: Minimamente, precisava entender o que é translação e rotação.

É isso aí pessoal, espero ter ajudado a nortear o estudo de vocês!


Jonathan Kreutzfeld

TABELA DE INCIDÊNCIAS


Incidência de assuntos de Geografia no Vestibular da UFSC (2010-2015)

Neste estudo de incidências, analisei na realidade os temas que aparecem em questões da prova. Por exemplo, uma questão sobre o Brasil onde o estudante precisa compreender a atividade econômica de cada região do país para responder algo sobre recursos hidrográficos, vai ter um ponto anotado em cada assunto. Por este motivo temos mais ocorrências do que questões em si. O mesmo acontece com questões de atualidades que podem falar desde Blocos Econômicos até sobre terremotos em uma só questão!

VEJA TAMBÉM:




GRÁFICO SOBRE A INCIDÊNCIA DE TEMAS / ASSUNTOS DE GEOGRAFIA
UFSC (2010-2015)


Então o que deve ser mais estudado afinal?

A prova da UFSC é em geral bastante complexa e aborda em todos os anos muitos conteúdos, mas é possível identificar um foco em conflitos internacionais, blocos econômicos, economia brasileira, vegetação e Santa Catarina.

Geopolítica: Tudo que diz respeito ao relacionamento de países ou laços econômicos é muito importante na prova da UFSC! Notei que quase todas as provas cobravam conhecimentos sobre o continente africano. Para este ano, neste item acredito que teremos questões sobre as migrações de africanos e sírios para a Europa.

Espaço Rural: Pouco cobrado, mas quando foi era mais relacionado com os impactos ambientais. Apareceu também em questões sobre êxodo rural e participação na economia brasileira.

Questões Ambientais: Embora este item eu criei para a incidência do assunto conferências e acordos sobre o clima, sempre que aparecia questões sobre El Niño, enchentes ou deslizamentos eu acabei pontuando também.

Globalização: Neste item, em geral questões sobre as revoluções industriais e como elas nos levaram à evolução tecnológica dos meios de comunicação.

Espaço Urbano: Bastante sobre rede urbana brasileira e catarinense, os conceitos e os problemas socioambientais também apareceram.

Atmosfera: Bastante conceitual, e também de identificação de climas no Brasil e no Mundo.

Hidrografia: Em questões sobre economia ou mesmo sobre vegetações do Brasil, apareceu bastante a correlação com as bacias hidrográficas. Em geral sobre as bacias, pouco sobre conceitos.

População: Sobre a população, devemos esperar coisas sobre migrações e da parte conceitual, tabelas ou pirâmides etárias para interpretar as condições de algum país.

Energia: Em geral sobre a produção de petróleo no Brasil e no mundo. Fora isso uma ou outra sobre hidrelétricas também.

Vegetação: Saber onde ficam os domínios vegetais ou biomas brasileiros é bem importante. Quase sempre a vegetação é cobrada contextualizada com a economia, hidrografia ou clima de algum lugar.

Santa Catarina: Todas as provas tinham questões completas sobre o assunto e as vezes ainda aparecia mais alguma coisa em assertivas de questões sobre outros assuntos. A maioria tinha mapa do estado e cobrava de forma bem abrangente dentro do tema representado escolhido.

Brasil Economia Regional: Neste item eu pontuei quando aparecia sobre governos do Brasil, divisão regional e claro a caracterização econômica, em geral essas questões tinham tabelas ou mapas e solicitavam análises regionais e comparações entre as mesmas.

Geologia: Terremotos, vulcanismo, erosão de solo e divisão de relevo brasileiro são os assuntos de maior incidência.

Cartografia: Nenhuma questão.

Movimentos da Terra: Fusos horários brasileiros, noções de coordenadas geográficas e consequências da translação ou rotação.

É isso aí pessoal, espero ter ajudado a nortear o estudo de vocês!

Jonathan Kreutzfeld

TABELA DE INCIDÊNCIAS




Redação Nota 1000 – Milícias: A Insegurança e o Medo



Série de postagens de redações que atingiram nota máxima, considerando os critérios do Enem e ou de importantes vestibulares do Brasil.

A redação a seguir foi proposta e corrigida pelo professor Antônio Carlos Rocha do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Barão do Rio Branco de Blumenau - SC.

Por Diego Daniel de Amorim Camilo Reif

Milícias: A Insegurança e o Medo

As favelas, além de sofrerem com o descaso do Estrado que possibilita um intenso tráfico de drogas nessas regiões, têm outro grande problema: as milícias. Fingindo serem os “mochinhos” que trarão um fim para a criminalidade, os milicianos acabam por ser um verdadeiro terror para quem mora em uma favela. Assim, vê-se a necessidade de desmilitarizar a polícia para que essa não abuse de seu poder.

Os milicianos, ao se apresentarem como policiais são vistos como uma salvação para os moradores. Mas, como diz o filósofo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do próprio homem”, passando por cima de outros para adquirir poder. Assim, apoiados por parte da população que acredita que “bandido bom é bandido morto”, as milícias tomam o controle de inúmeros aglomerados populacionais do país, principalmente no Nordeste.

Além disso, historicamente falando, os favelados são pobres que foram largados em morros pelo Estado a fim de serem ocultados da realidade social. Assim, com uma precária saúde pública, uma altíssima evasão escolar e uma quase inexistente segurança, a população dessas regiões se vê na obrigação de aceitar os absurdos impostos pelas milícias, como o pagamento de taxas, tanto pelo medo quanto pela necessidade de proteção.

Dessa forma, além da desmilitarização da polícia, vê-se a urgente necessidade de criação de unidades de saúde e de escolas pelo Governo Estadual em regiões carentes nesse quesito, como as próprias favelas. Já a investigação de milícias já existentes e a prevenção de novas devem ser realizadas pelo Governo Federal com o apoio dos estados vizinhos, a fim de acabar com as influências políticas dentro das milícias.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Incidência Geografia no ENEM

Se liga pessoal! A prova do Enem todo mundo sabe que é diferente, a maior parte da Geografia é encontrada na prova de Ciências Humanas embora o tema seja também facilmente abordado na prova de Naturais. Fica tudo misturado e dá um desespero na hora de estudar para uma prova tão completa num contexto de assunto geográfico que pode ser tão abrangente.

Isso sem contar as atualidades que sempre cercam o contexto de cada tema que é abordado.

Pensando nisso, esse breve levantamento apresenta os conteúdos que mais costumam cair na prova!


A dica maior é: Estude quais são os principais impactos ambientais urbanos e rurais!


MAIS IMPORTANTES PELA ORDEM

H30 – Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas.

H6 – Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

H16 – Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social.

H27 – Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e(ou) geográficos.

H28 – Relacionar o uso das tecnologias com os impactos sócio-ambientais em diferentes contextos histórico-geográficos.

H18 – Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.

H19 – Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.

H8 – Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social.

H17 – Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.

H26 – Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

H7 – Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.


H19 – Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.

Se você não sabe por onde começar ou como solucionar dúvidas, tente assistir as aulas do portal Hora do Enem ou pelo canal NBR, ou claro, se puder, peça ajuda para seu professor!

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:


terça-feira, 16 de outubro de 2018

O Desmantelamento da Iugoslávia (1945-2003)


O croata Modric: Melhor jogador da Copa 2018
O assunto voltou um pouco à tona em noticiários talvez em função do grande resultado da Croácia que foi segunda colocada na Copa do Mundo de 2018 bem como alguns comentários de ódio envolvendo Sérvios e Croatas durante o evento na Rússia. 

Vejamos abaixo um resumo sobre a história envolvendo o cruel desmantelamento da Iugoslávia que existiu oficialmente apenas desde o final da Segunda Guerra Mundial até 2003.

A Iugoslávia surgiu após a Primeira Guerra Mundial, com o desmantelamento do Império Austro-húngaro em 1918, sob o nome de Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. A partir de 1929, foi adotada a denominação de Reino da Iugoslávia, que era liderado por uma monarquia controlada pelos sérvios. Esse governo estendeu-se até 1941, quando o país foi invadido pelos alemães e um Estado fantoche de nacionalistas croatas foi criado na região.

Em 1945, a união de seis repúblicas (Sérvia, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Macedônia), e de duas províncias autônomas (Kosovo e Vojvodina), deu origem à República Federal Socialista da Iugoslávia. Instituída sob o regime comunista, e governada com mão de ferro entre 1945 e 1980 pelo marechal Josip “Tito” Broz, a Iugoslávia foi capaz de resistir por 35 anos às diferenças dos povos que a formavam. Mas não foi para sempre. A morte de Tito, em 1980, e o enfraquecimento do sistema comunista ao longo da década seguinte (culminando com a queda do muro de Berlim, em 1989), fez com que os comunistas começassem a perder o controle do país. Com isso, divergências do passado começaram a se agravar. O palco se tornou favorável para vários tipos de discursos, do nacionalismo sérvio à crença de que era chegada a hora para eslovenos, croatas, bósnios e kosovinos fundarem seu próprio país.

Josip Broz Tito - Morto em 1980
Os primeiros a agirem foram Eslovênia e Croácia, que em 25 de junho de 1991, via referendo, declararam independência. A decisão desagradou o presidente sérvio Slobodan Milosevic. O primeiro alvo de Milosevic foi a Eslovênia, numa guerra de “tiro curto” que durou 10 dias. Depois de algumas bombas e ameaças, um acordo foi firmado pelo governo esloveno e a Iugoslávia. Resolvida a questão da Eslovênia (que sempre foi mais “Ocidental” do que “Oriental”, e continha pequena representatividade sérvia no país), o exército iugoslavo – sob o comando de Milosevic – focou seus esforços na Croácia e, prontamente, invadiu o país com a ajuda das milícias sérvias locais. Com o sangue respingando nas coberturas televisivas (mesmo que em doses homeopáticas), ONU e Comunidade Europeia intervieram no conflito.

Slobodan Milosevic
Seguindo os passos da Eslovênia e da Croácia, a Bósnia e Herzegovina foi a terceira república da antiga Iugoslávia a declarar independência, em fevereiro de 1992 (também via referendo). Contrários à decisão, os sérvios, que defendiam a permanência da Bósnia na Iugoslávia, deram início aos confrontos na capital Sarajevo. Pelo país, integrantes de diferentes culturas e religiões estavam se aniquilando. Começou um processo de limpeza étnica liderado pelos sérvios. Valia tudo, desde massacres coletivos a estupros sistemáticos de mulheres bósnias, que, pela lei vigente, tendo filhos de pais sérvios, dariam à luz a crianças “sérvias legítimas”.

Desde o fim da guerra na Bósnia, em 1995, a tensão entre a província autônoma de Kosovo, de maioria albanesa, e o que restou da Iugoslávia também começou a crescer. Em 1998, os confrontos entre as forças de segurança sérvias e o Exército de Libertação de Kosovo (ELK) se intensificaram. Na luta pela independência, separatistas de Kosovo chegaram a controlar parte da província – quando tiveram sua autonomia ‘castrada’ por Milosevic, graças ao fechamento do parlamento kosovino e a entrada em ‘campo’ das tropas sérvio/iugoslavas. A situação chegou ao extremo em 1999, quando após uma tentativa fracassada de assinar um acordo de paz com os sérvios, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) atacou a Iugoslávia em março daquele ano – no centro de Belgrado, capital da Sérvia, até hoje prédios que foram alvo do ataque restam intocados, e destruídos.

Em 2008 Kosovo conquistou, finalmente, sua independência. Porém, 13.500 pessoas foram mortas no período, conforme levantamento do Humanitarian Law Center (HLC). Este episódio, ainda não bem resolvido, segue sendo um dos motivos que barram a entrada da Sérvia na Comunidade Europeia.

Ponte em Mostar - Bósnia e Herzegovina
Fruto desta série de episódios, a Iugoslávia deixou de existir, oficialmente, em 2003, dando lugar a um ‘novo país’, chamado Sérvia e Montenegro. Em 2006, porém, as duas nações também se separaram, após referendo, criando os hoje independentes países da Sérvia e de Montenegro. O espólio da guerra, entretanto, ficou com a Sérvia, por motivos óbvios. No total, nove enfrentamentos armados foram registrados envolvendo as seis repúblicas da antiga Iugoslávia e as duas unidades autônomas, num número aproximado de 140 mil mortos, outra centena de milhares de desaparecidos e, pelo menos, 2,2 milhões de refugiados, entre 1991 e 2001.

Entre os inúmeros conflitos, destacam-se a Guerra da Bósnia e Herzegovina e da Independência da Croácia que seguem:


A Guerra de independência da Croácia

Franjo Tudjman da Croácia, foi um dos principais arquitetos da dissolução da Iugoslávia e o ressurgimento do nacionalismo nos Bálcãs.

Franjo Tudman
A guerra de ocorreu de 1991 a 1995 e resultou na morte de 14 mil croatas e 7,5 mil sérvios. (Aqui da para entender um grande motivo para a rivalidade entre Sérvia e Croácia no futebol)

Inicialmente, foi uma guerra entre a Croácia e o Exército Popular jugoslavo (JNA), que se opôs à independência croata. Mais tarde, o conflito levou a combates entre as forças armadas da recém-independente Croácia e as forças rebeldes da minoria sérvia, que proclamou a República Sérvia de Krajina. Os sérvios foram apoiados pela Iugoslávia. O lado croata destinava-se a estabelecer a soberania da República da Croácia, uma antiga república socialista na República Socialista Federativa da jugoslávia, enquanto os sérvios queriam permanecer como parte da Iugoslávia, procurando novas fronteiras em partes sérvias da Croácia com uma maioria ou uma minoria sérvia influentes. A guerra foi particularmente notável pela sua brutalidade em uma sociedade relativamente desenvolvida na Europa e nos tempos modernos.


Guerra na Bósnia e Herzegovina: Cerco de Sarajevo e o túnel da esperança

A Guerra na Bósnia e Herzegovina durou três anos, oito meses e oito dias. Começou em 6 de abril de 1992 (data em que o país foi admitido como membro da ONU) e só acabou em dezembro de 1995. A independência da multiétnica república da Bósnia – então habitada por bósnios muçulmanos (44%), sérvios ortodoxos (31%) e croatas católicos (17%) – havia sido definida por um referendo pouco tempo antes do início do conflito, em em 29 de fevereiro de 1992. Só que os sérvios não levaram a independência a sério e decidiram estabelecer, dentro da Bósnia, sua própria República (Srpska). Estava lançada mais uma guerra no território da antiga Iugoslávia.

O conflito deixou aproximadamente 100 mil mortos. Entre as vítimas, 40 mil civis. Cerca de 50 mil mulheres bósnias foram estupradas e 1,5 milhão de pessoas ficaram desabrigadas ou refugiadas. Foi o primeiro caso de genocídio na Europa pós-Segunda Guerra Mundial. Campos de concentração também se tornaram comuns.

Na linha de combate se enfrentaram os representantes de cada etnia da então República: sérvios e bósnios de origem sérvia (representantes da República de Srpska, apoiados pelo exército Iugoslavo (JNA), de Slobodan Milosevic), croatas e bósnios de origem croata, e bósnios de origem muçulmana – grupo que registrou as maiores perdas.

O mundo acompanhou ao vivo os principais momentos do conflito. Especialmente, o cerco da capital Sarajevo – o mais longo da história moderna, entre abril de 1992 e fevereiro de 1996 (cerca de dois meses após o fim da própria Guerra na Bósnia). Sem água ou energia elétrica e aprisionados em suas próprias casas, os moradores de Sarajevo estavam sendo dizimados pelas forças sérvias, que se posicionaram ao longo das montanhas que circundam a capital. A cobertura da imprensa fez com que a ONU tivesse que agir. Um acordo foi feito com as lideranças sérvias para que o aeroporto de Sarajevo servisse de base para a chegada de alimentos, roupas, cuidados de saúde e outros.

Com a criação da “zona livre de guerra”, representantes bósnios tiveram uma ideia: construir um túnel debaixo da pista do aeroporto – o que permitiria o ingresso de mais comida e utensílios que já não eram encontrados na cidade. O serviço foi executado por 133 pessoas, entre militares e civis, e durou quatro meses e quatro dias, entre março e junho de 1993. Abid Jasar, que trabalhou na construção do túnel comenta que: “Tínhamos duas equipes cavando em lados opostos sob a pista do aeroporto. A ideia era nos encontrarmos no meio do caminho abrindo, assim, o túnel para o transporte de mantimentos e deslocamento de pessoas. Tivemos sucesso, e, certamente, a iniciativa garantiu a sobrevivência da cidade, que estava completamente batida”, lembra o veterano que fez parte do exército bósnio e hoje mantém uma loja de souvenirs ao lado do túnel. O lugar, inclusive, é um dos principais pontos turísticos da cidade.

Mesmo duas décadas depois da Guerra, Sarajevo segue repartida e longe de ostentar o padrão de vida europeu, ou de capitais próximas, como Belgrado e Zagreb. O cerco de Sarajevo deixou cerca de 15 mil mortos (40% civis) e legou à Capital um impressionante número de cemitérios, muitos estabelecidos em espaços que antes do conflito serviam como parques abertos ao público.


Lideranças regionais durante todo o processo de desmantelamento da antiga Iugoslávia

De todo esse processo, surgiram lideranças étnicas que representavam politicamente seus grupos na Iugoslávia. Assim, destacaram-se os seguintes líderes das três etnias hegemônicas da região:

Alija Izetbegovic, líder dos bosníacos (bósnios-muçulmanos);

Franjo Tudman, líder dos croatos;

Slobodan Milosevic, líder dos sérvios.


Jonathankreutzfeld

Fonte:





terça-feira, 9 de outubro de 2018

Maduro, Duterte e Erdogan: Ditadores eleitos?

O que será que Nicolás Maduro, Recep Tayyip Erdogan e Rodrigo Duterte tem em comum?

Então, eles são presidentes, eleitos pela urna e são autoritários.

Eu acabei decidindo não colocar Hitler na lista, pois já fiz uma postagem anterior sobre ele ter sido eleito e não ter causado golpe algum.

Vivemos um momento bastante polarizado na política mundial e não é diferente no Brasil. Estamos num período eleitoral entre turnos nas eleições para presidente e governadores que foram para o segundo turno. E ficou nítido nas urnas do dia 7 de outubro de 2018 que o país está MUITO polarizado. E desta forma, dois representantes com muitas características autoritárias disputando os votos de seus eleitores que estão entre fiéis seguidores beirando ao fanatismo nem sempre visto diante de astros de rock, e eleitores comuns que simplesmente não desejam ver o outro lado no poder.

Eu particularmente fico muito triste com a polarização extremada que tivemos e fico preocupado com as características que notoriamente são autoritárias da parte dos candidatos e então decidi lembrar os leitores do blog que existem atualmente no mínimo 3 presidentes eleitos na urna que ou estão desrespeitando o legislativo ou princípios básicos dos direitos humanos e com discursos retrógrados, perseguem, matam, torturam a parcela da população que não agrada.

MADURO - VENEZUELA

Maduro é um ditador de araque que se manteve no poder após a morte de Hugo Chávez, este que por sua vez foi eleito pela primeira vez em 1998 fez de tudo para se manter no poder até sua morte em 2012. Pegou um país petroleiro em boas condições, viu as guerras no oriente médio favorecer o aumento do valor do petróleo durante uma década e nadou em dinheiro até o valor da commodity baixar violentamente e a economia da Venezuela entrar em frangalhos dependendo 96% da venda do óleo.

Já faz 18 anos que opositores querem a saída do governo que deixou o país com nem mesmo itens de necessidade básica sem produção no país. O preço do barril de petróleo, de 120 dólares em 2008, caiu para menos de 50 dólares a partir de 2014. Além de perder a capacidade de importar, o país não pôde manter os investimentos sociais, um dos pontos mais positivos do governo de Chávez.

O controle nos preços, uma medida tomada por Hugo Chávez para evitar inflação, desestimulou investimentos de iniciativa privada dentro do país. Em alguns casos, a venda era desvantajosa para empresas privadas devido aos impostos, o que ajudou a fazer com que os produtos sumissem das prateleiras. A dependência do Estado na economia prejudica o país, quando esse não consegue, sozinho, suprir as demandas da população.

Outra medida de combate à inflação no governo de Chávez também mostra resultado agora, em tempos de crise. O controle do câmbio, adotado desde 2003 com o objetivo inicial de impedir a fuga de dólares do país, deu espaço para uma corrupção interna por parte dos militares e membros do governo. O desvio ilegal provoca escassez da moeda estrangeira dentro do país, o que agrava o problema de abastecimento.

A escassez de alimentos e a crise econômica no contexto atual da Venezuela têm aumentado a violência na região. Em 2017, o país registrou os índices de homicídio mais altos da América Latina.

DUTERTE - FILIPINAS

Duterte foi eleito em 2016 com apenas 38% dos votos válidos, sem segundo turno, desbancando seus opositores que ficaram na casa dos 20%. Até aí tudo certo, mas o presidente foi eleito com discurso inflamado e odioso, mesmo em um país de maioria cristã, chegou a chamar Deus de estúpido, inexistente e ainda xingou o Papa Francisco.

Na noite de sua posse, há dois anos, Duterte detalhou durante o jantar oficial a principal promessa de seu programa. Como sempre, falou como um valentão: “Esses filhos da puta estão destruindo nossos filhos. Faço um alerta para não mexerem com nisso, mesmo que sejam policiais, porque, estou falando sério, vou matar todos… Se conhecer algum viciado, mate-o você mesmo, porque seria muito doloroso pedir para seus pais fazerem isso… Os que continuam usando drogas já foram alertados durante a campanha. Aconteça o que acontecer, aviso: sem remorsos. Falei para pararem. Se acontecer algo [aos viciados], eles procuraram”.

Ok, mas ele tá querendo cuidar das pessoas de bem não é mesmo? Enfim, não acho que banalizar a morte é uma coisa bacana. Até porque quantos que estão lendo este texto conhecem alguém viciado ou não que faz uso regular de alguma droga? Como ela chegou na mão de seu coleguinha? Só pra que todos por aqui reflitam. A maioria nem chega a ler até aqui.

Fato é que Duterte já garantiu a morte de mais de 10 mil usuários e notificou a família de mais de um milhão deles para que se encaminhem aos tratamentos, que em geral não são suficientes e acabam se transformando em chacinas!

ERDOGAN – TURQUIA

Há quinze anos de poder, Recep Tayyip Erdogan é tido como um líder reformador, combativo, autoritário e repressivo. Promoveu profundas transformações na Turquia através de megaprojetos de infraestruturas e conduz uma política externa firme diante do Ocidente, chegando a incomodar seus tradicionais aliados ocidentais.

Erdogan é Presidente da Turquia desde 28 de agosto de 2014. Anteriormente, ocupou o cargo de Primeiro-ministro do país entre 14 de março de 2003 e 2014.

Erdogan é um homem que divide o país. De um lado, a base muçulmana conservadora exalta a aproximação com o islamismo e o milagre econômico turco. De outro, os que o enxergam como ditador criticam a repressão a opositores. No domingo 16, Erdogan venceu um referendo histórico sobre a revisão constitucional que reforça seus poderes e muda os rumos da Turquia, distanciando-a da União Europeia e, quiçá, da democracia. Em uma disputa acirrada, 51,3% dos turcos disseram “sim” à reforma proposta pelo presidente. Com a vitória, a Turquia deixa o atual sistema parlamentar para tornar-se uma república presidencialista. Erdogan, que passará a acumular inúmeras atribuições legislativas e poderá indicar a maioria dos juízes às altas cortes do sistema judiciário, tem a chance de permanecer no poder até 2029, ao final de três possíveis mandatos consecutivos – um sultanato de longo prazo.

Em 2013, quando a população foi às ruas gritar contra a remodelação do Parque Gezi, muitos turcos laicos juntaram-se às manifestações para protestar contra suas inclinações islâmicas, mas foram reprimidos pela polícia. A escalada de violência ganhou força depois da tentativa de golpe militar, em julho de 2016, quando Erdogan convocou a população às ruas. Desde então, com o país em estado de emergência, o governo passou a açodar seguidores do clérigo Fethullah Gulen, a quem o presidente culpa pelo golpe. Cerca de 45 mil pessoas acabaram detidas e outras 130 mil foram removidas de suas funções públicas. À imagem de ditador, somou-se o declínio dos resultados econômicos da Turquia: no ano passado, o PIB cresceu 2,9% em relação ao ano anterior, bem abaixo de 2015. Ainda que tenha conseguido uma importante vitória no referendo, a popularidade de Erdogan é questionada. “Cada vez que se sente ameaçado, ele sobrevive com o apoio popular. Olhando para o referendo, o que não é claro é se esse apoio ainda está lá”.

O referendo sofreu críticas desde o início das campanhas. Com a imprensa controlada pelo governo, a oposição teve liberdade limitada. Agora, com o fim do cargo de primeiro-ministro, Erdogan poderá escolher os membros do gabinete, o vice-presidente e outros servidores que se reportarão diretamente a ele. Ele também deve indicar a maioria dos juízes das altas cortes do sistema jurídico turco, em um regime que se assemelha cada vez mais ao de Nicolás Maduro, na Venezuela, que, inspirado pelo chavismo, aparelha e controla todas as instituições.

Considerações Finais

Seja lá qual for o resultado, espero que não tenhamos caminho parecido ou estamos ferrados :(

Jonathan Kreutzfeld

Fonte: